"E saía um rio do Éden para regar o jardim; e dali se dividia e se tornava em quatro braços.O nome do primeiro é Pisom; este é o que rodeia toda a terra de Havilá, onde há ouro. E o ouro dessa terra é bom; ali há o bdélio, e a pedra sardônica.E o nome do segundo rio é Giom; este é o que rodeia toda a terra de Cuxe.E o nome do terceiro rio é Tigre; este é o que vai para o lado oriental da Assíria; e o quarto rio é o Eufrates."
Esses versos identificam o rio que regava o Éden. Ele se dividia em quatro rios chamados na Bíblia de Pisom, Giom, Tigre e Eufrates. Os rios Tigre (Hidequel) e Eufrates são conhecidos até hoje, a localização dos outros dois se perdeu.
Embora isso ajude a ter uma ideia de onde pode ter sido o jardim do Éden não devemos nos esquecer que o dilúvio alterou o superfície da Terra e mudou o curso de tais rios. Isso é claramente indicado nos versos, quando diz que os quatro tinham uma mesma nascente que depois se dividia, como em um rio que deságua em um delta. Não é possível ver essa junção dos dois rios hoje, embora pelo curso atual deles podemos deduzir que ela ocorria em algum lugar da Armênia.
A menção da terra de Havilá e de Cuxe mostra que o relato foi escrito depois que tais povos já tinham se estabelecido nestas regiões.
Neste verso está o motivo de ter se recontado a história da criação. Note que o verso fala que Deus fizera brotar do solo toda árvore boa para alimento e daí destaca a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal. Isso sugere que estas árvores já estavam no Éden desde quando brotaram e eram boas para alimento. Elas não se distinguiam das outras, não havia nada de mágico com elas ou algum poder oculto nelas, algum veneno ou algo assim. Eram árvores comuns. Tanto que no final do sexto dia, Deus disse ao casal humano que poderiam comer de TODAS as árvores. Não se excluiu nenhuma. (Veja postagem a Gênesis 1:29)
Mas uma mudança da situação relatada ao final do sexto dia, fez com que em algum momento durante o sétimo dia, estas árvores ganhassem destaque. As postagens dos versos seguintes esclarecerão qual foi essa mudança.
Alguns afirmam que estas árvores tinham poderes mágicos, uma dando ao homem o conhecimento do bem e do mal e a outra dando a vida eterna. Mas o que estava envolvido não era qualquer propriedade especial das árvores ou de seus frutos mas sim a palavra de Deus relacionada a cada árvore. Detalhes serão dados nas postagens dos versos relacionados.
Alguns mencionam que, nesse verso, Deus estava criando plantas e que, portanto, há uma contradição ao se dizer em Gênesis 1 que o homem foi criado depois das plantas e aqui se falar da formação do jardim do Éden depois da criação do homem.
No entanto, uma leitura atenta do trecho mostra que não é isso o que se afirma aqui. Note, por exemplo, que ao iniciar esse relato da criação somos direcionados ao terceiro dia criativo. Isso porque foi nessa época que Deus criou as plantas. Ao mencionar que Deus PLANTOU um jardim no Éden o verso não diz QUANDO ele fez isso. O verso apenas diz que, após Deus criar o homem, ele o colocou nesse jardim que havia plantado.
Se observarmos a postagem a Gênesis 1:11 veremos que Deus plantou as sementes para que a Terra produzisse as plantas segundo suas espécies. O relato começa no "terceiro dia" para mostrar que Deus plantou as sementes das árvores do Éden durante esse terceiro dia. Daí, elas se desenvolveram e formaram o jardim que estava pronto quando por volta do fim do "sexto dia" Adão foi criado.
Portanto, a conclusão lógica é que Deus plantou o jardim do Éden ANTES de criar Adão, em algum momento durante o terceiro dia da criação. E, depois, com o jardim já pronto, colocou o homem que formara nele.
As evidências da Bíblia mostram ainda que Deus designou um querubim para tomar conta desse jardim.(Ezequiel 28:13,14)
Observe que aqui o relato deixa o terceiro dia criativo e vai para o final do sexto dia criativo. O objetivo é explicar alguns detalhes sobre a criação do homem, que já havia sido relatada antes.
1) Criado do pó do solo. Menciona-se que Deus criou o homem do "pó da terra". Algumas traduções colocam aqui a palavra "barro". No entanto, quando a Bíblia diz que Deus criou o homem do pó do solo não quer indicar que Deus pegou pó e fez um corpo para o homem. Antes quer indicar que somos feitos dos mesmos elementos que o solo da Terra.
Uma rápida pesquisa mostrará ao leitor que 47% do solo terrestre é composto por oxigênio e que 65% do corpo humano é formado por oxigênio. Apenas este dado já demonstra o que significa o homem ter sido feito do pó do solo.
Verifique em
http://mineralogiaequimicadosolo.blogspot.com/2014/04/composicao-da-fase-solida-mineral-do.html
http://www.astropt.org/2013/11/04/composicao-do-corpo-humano/
https://www.vix.com/pt/bbr/47/12-elementos-quimicos-do-corpo-humano
Uma pesquisa mais detalhada mostra que diversos outros elementos, tais como o cálcio também estão presentes tanto no pó do solo, como em nosso corpo. É por isso que quando morremos, voltamos ao pó do solo. O corpo se decompõe em seus elementos originais e volta ao pó do solo por meio da ação de animais decompositores.
2) Fôlego da vida. O verso menciona que Deus soprou nas narinas do homem o fôlego de vida. Isso significa que Deus transmitiu a força da vida ao homem. Essa força é sustentada pela respiração. Não é pessoal, todos, inclusive os animais receberam essa mesma força de vida.
3) Feito alma vivente. Observe que o verso mostra que o homem FOI FEITO alma vivente. Não diz que Deus colocou uma alma dentro do corpo do homem. A palavra hebraica aqui para "alma" é nephésh. Essa mesma palavra é usada em Gênesis 1:20 para se referir aos animais. Isso mostra que tantos os humanos como os animais são almas.
Então, não temos uma alma, antes SOMOS uma alma, da mesma forma que um homem que se forma como arquiteto SE TORNA ou É um arquiteto e não TEM um arquiteto dentro dele.
4) Época da Criação. Por conta de se mencionar a criação do homem aqui e depois se falar dos animais, alguns concluem que o verso está afirmando que o homem foi criado antes dos animais. No entanto, o objetivo do relato não é apresentar os fatos em ordem cronológica, mas dar detalhes do que aconteceu em relação ao pecado original.
Essa neblina nada mais era do que a intensa evaporação da água que estava ocorrendo naqueles dias e que resultou da criação da atmosfera no segundo dia e do processo de evaporação da água.
Note que esse relato dirige nossa atenção para o "terceiro dia da criação" sobre o qual tratamos nas postagens de Gênesis 1:11-13.
Alguns afirmam que se falar da criação das plantas aqui é uma contradição, indicando que o homem foi criado antes das plantas. No entanto, o verso é claro em dizer que na época citada nele não tinham sido produzidas as plantas e a vegetação da Terra e nem o homem tinha sido criado. Ou seja, o relato dirige nossa atenção para o terceiro dia, depois do solo ter surgido, mas antes da criação das plantas. Estamos sendo direcionados pelo relato para um ponto da história contada no capítulo 1 e não recontando a história da criação.
Nossa atenção é dirigida para esse dia para que consigamos entender sobre a árvore do conhecimento do bem e do mal e sobre a árvore da vida. Ser mencionado o terceiro dia indica que elas eram árvores comuns. Cresceram a partir de espécies de árvores que foram criadas neste dia.
Menciona-se essa época como uma em que ainda não havia chovido sobre a Terra. Se retomarmos as postagens sobre o segundo dia da criação (Gênesis 1:6-8) vemos que foi neste dia que a evaporação das águas "debaixo da atmosfera" começou a ocorrer. Por isso que por volta dessa época ainda não tinha ocorrido chuvas. A terra tinha acabado de emergir com a redução da água na superfície e a formação de nuvens pela evaporação. (Gênesis 1:9)
Aqui se traduz a palavra hebraica yohm por tempo. Essa palavra significa, literalmente "dia". Mas, assim como hoje, a palavra dia tem vários significados, na época em que Gênesis foi escrito também tinha. Dia pode significar um período de 24 horas ou o período em que existe luz ou o período em que algo importante aconteceu. No caso desse versículo essa palavra se aplica ao tempo em que Deus formou os céus e a Terra e engloba bilhões de anos. Não significa que a Bíblia afirme aqui que Deus criou tudo em 24 horas, assim como ela não diz que Deus criou tudo em 6 dias de 24 horas (detalhes nas postagens sobre Gênesis 1).
Alguns acreditam que aqui se conta uma segunda história da criação. A partir dessa ideia tiram diversas conclusões equivocadas, tais como que Adão teve outra esposa, ou que foram criados outros humanos antes de Adão e Eva. Detalhes sobre tais conclusões serão apresentados nos versos específicos.
No entanto, não se trata de outra história, mas da mesma. Aqui se inicia um outro relato sobre a mesma história com o objetivo de contar algo que ocorreu depois que o sétimo dia da criação já tinha começado. O relato está aqui para que entendamos o que representou a guarda do sábado semanal e para entendermos o que significa violar o "descanso" de Deus.
Esse relato não tem por objetivo contar a ordem geral dos acontecimentos, mas sim relatar como se deu a rebelião do homem contra Deus. Para compreender o relato e perceber que ele não contradiz o relato de Gênesis 1, precisamos ter isso em mente. Os detalhes serão analisados nos versos específicos.